Balkan Insight — Jornalismo Investigativo sobre os Bálcãs e Leste Europeu
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Depois de se voluntariar, Ivanov esperava ficar permanentemente na Sérvia e trabalhar para uma ONG ou órgão governamental. Mas apesar das suas competências linguísticas e experiência, as portas não se abriram.
“Achei que voltar seria fácil”, diz ela. “Mas sem conexões, nada mudou.”
Em vez disso, aceitou um emprego como professora universitária em Cartum, no Sudão. Ela chegou pouco antes do golpe de 2019 que encerrou seu contrato da noite para o dia.
“Foi um dos melhores lugares onde já morei”, diz ela. “Mas o momento foi terrível.”
Seu próximo passo veio através do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, CICV. Ela ingressou na organização e iniciou o que viria a ser uma carreira de cinco a seis anos em trabalho humanitário em vários países.
Durante a pandemia de COVID-19, a sua vida tornou-se ainda mais nómada. Ela estava no Iraque quando as fronteiras começaram a fechar, foi redirecionada através de Dubai e Bagdá e acabou sendo evacuada em um dos últimos voos fretados. De volta à Nova Zelândia, ela passou por uma rigorosa quarentena em um hotel antes de ser enviada novamente – desta vez para a Nigéria.
Lá, ela trabalhou no programa Restaurando Laços Familiares, ajudando pessoas separadas por conflitos a se reconectarem com parentes.
“Às vezes era apenas um telefonema”, diz ela. “Às vezes isso significava anos de busca.”
Uma de suas experiências mais poderosas foi reunir um pai com seus dois filhos no norte da Nigéria.
“Foi nesse momento que compreendi o que realmente significa o trabalho humanitário”, diz ela. “Não é logística. É restaurar novamente a sensação de ser humano de alguém.”
Ela também apoiou famílias de pessoas desaparecidas, oferecendo apoio de saúde mental, ajudando-as a construir pequenos meios de subsistência e defendendo respostas sobre os seus entes queridos.
“Às vezes, tudo que você pode dar é informação”, diz ela. “Mas mesmo as más notícias são melhores que o silêncio.”
O trabalho humanitário traz exposição constante a traumas. Ivanov aprendeu a proteger sua saúde mental por meio do movimento e da criatividade. A dança tornou-se seu refúgio; algo que ela poderia fazer em qualquer lugar com apenas um pequeno espaço. Ela aprendeu ponto cruz, muitas vezes usando padrões dos Bálcãs, e encheu a mala com tecidos e objetos de todos os países em que trabalhou.
“Em Mianmar, vi designs que pareciam exatamente com os padrões dos Bálcãs”, diz ela. “Você percebe que não há diferença real entre nós. Somos apenas humanos.”
O trabalho também a lembrou do privilégio de partir.
“Eu sempre poderia ir”, diz ela. “Meus colegas tiveram que ficar e voltar para casas inseguras. Isso ficou comigo.”
‘Eu sempre volto para a Sérvia’
📌 Fonte original: Visão dos Balcãs
Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pelo Visão dos Balcãs — veículo de jornalismo investigativo especializado em reportagens sobre os Bálcãs e o Leste Europeu, integrante da Rede de Jornalismo de Crime Organizado e Corrupção (OCCRP). Todo o conteúdo é propriedade da Balkan Insight e reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos. Para acessar o material original em inglês, acesse balkaninsight. com.