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Um passo em direção à justiça para os abusos na Ucrânia
Foto: Human Rights Watch / Reprodução

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À medida que a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia entra no seu quinto ano, os esforços internacionais sustentados são fundamentais para garantir a responsabilização por graves abusos. Novas conclusões da Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre a Ucrânia sublinham a razão pela qual o seu mandato deve ser renovado.

A comissão novo relatórioinclui conclusões sobre a deportação pelas autoridades russas e a transferência forçada de crianças ucranianas para a Rússia ou para áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia. A comissão verificou a deportação ou transferência de pelo menos 1.205 crianças, 80% das quais não foram devolvidas.

Concluiu também que as autoridades russas ocultaram sistematicamente informações sobre o paradeiro das crianças aos seus pais ou tutores legais e obstruíram os esforços para garantir o seu regresso. Em vez disso, as autoridades russas procuraram colocar as crianças com famílias ou em instituições na Rússia. A comissão concluído que estes actos sistemáticos, incluindo a deportação, a transferência forçada e os desaparecimentos forçados, equivalem a crimes contra a humanidade.

A comissão também documentou graves violações dos direitos a um julgamento justo dos civis ucranianos e dos prisioneiros de guerra perante os tribunais da Federação Russa e nas áreas ocupadas pela Rússia na Ucrânia. Constatou que estes tribunais aceitam provas forjadas ou testemunhos obtidos sob tortura, em processos marcados pela falta de independência e por uma aparente presunção de culpa.

Enquanto o Conselho dos Direitos Humanos da ONU negocia uma resolução durante a sua actual sessão para renovar o mandato da comissão, os abusos contínuos na Ucrânia sublinham a importância do escrutínio internacional contínuo.

As conclusões da comissão reflectem as conclusões da Human Rights Watch sobre a tortura sistemática e maus-tratos infligidos aos prisioneiros de guerra e aos detidos civis ucranianos, que constituem crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A Human Rights Watch também documentou repetidos ataques indiscriminados e ilegais a infra-estruturas civis, e ataques deliberados de drones sobre civis ucranianos, no valor de crimes de guerra.

Nos territórios ocupados, as autoridades russas continuam a impor leis russas, a confiscar ilegalmente propriedades civis e a coagir os residentes a adquirirCidadania russae servir noMilitar russo. Eles tambémimposto Língua e currículo russos nas escolas como parte de uma campanha sistemática para suprimir a identidade, a língua e a cultura ucranianas.

A Comissão de Inquérito continua a ser uma pedra angular da responsabilização, ajudando a preservar provas, a identificar padrões de abuso e a apoiar futuros processos. Os Estados membros do Conselho dos Direitos Humanos devem apoiar a sua renovação e garantir que dispõe dos recursos necessários para continuar as investigações independentes sobre os graves abusos na Ucrânia.


📌 Fonte original: Vigilância dos Direitos Humanos (HRW)

Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pela Vigilância dos Direitos Humanos (HRW) — organização internacional de defesa dos direitos humanos, sem fins lucrativos, com sede em Nova York (EUA). Todo o conteúdo é de propriedade da HRW e reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos. Para acessar o material original em inglês, acesse www.hrw.org.